O que é evolução?

Imagem retirada do Google.

I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans, yeah

Eu estou a frente, eu sou avançado
Eu sou o primeiro mamífero a fazer planos, yeah
Pearl Jam - Do The Evolution
A Opinião de hoje não é exatamente sobre um fato, mas sobre um conjunto de coisas que chamamos todos os dias de EVOLUÇÃO. Procurando no famigerado Google, evolução é o ato de evoluir e evoluir é passar por processo gradual de evolução, o que não ajuda em nada. A grosso modo, evoluir é transformar de forma contínua e harmoniosa. No entanto, muita gente confunde isso com aprimoramento, porém não são a mesma coisa. Aprimorar é uma forma de evoluir que visa benfeitorias, melhorar, apurar, mas nem toda evolução tem esse propósito.

O trecho acima é de uma música gravada em 1998, Do The Evolution, da banda grunge, Pearl Jam. Nela são questionadas situações cotidianas enfrentadas pela dita evolução do homem. Fomos os primeiros a usar calças e planejar, mas não fizemos isso direito. E o pior é pensar que, quase 20 anos depois, continuamos parados no mesmo ponto dessa letra. O que estamos fazendo com nossos índios? O que fazemos com as florestas, a água, os mares? Chamamos isso de evolução, o planeta chama de destruição. Não estamos deixando nada para os que virão. Estamos transformando tudo em cédula e dizendo quanto vale, sem dar valor a nada.

Esta terra é minha, esta terra é livre
Eu faço o que eu quiser, mas irresponsavelmente
 Nos deixamos levar pela luxúria envolvente do capitalismo selvagem, que nos ensina a escolher profissões pelos salários, bairros e carros pelos status, que nos diz que vencer na vida é algo completamente diferente do que achávamos que era aos 7 anos. Em Ouro de Tolo, do nosso eterno maluco beleza, Raul Seixas, descreve situações ainda mais próximas da realidade dos brasileiros. Mas pasmem, ela foi escrita em 1973 e ainda consegue ser atual. O que, deveria, incomodar profundamente a nossa sociedade.

Ah! Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa 
 O que nós estamos fazendo com o nosso tempo? Como o nosso mundo? Conosco? Esperando tudo virar pó para chorar as mágoas? O que é vencer na vida? Pense um pouco, respira fundo, se desgarra das respostas prontas que você aprendeu por osmose. Pensa no teu íntimo, no que te faz feliz. O que é vencer na vida? E o que você está disposto a abrir mão para conseguir? Seu planeta? Sua família? Sua crença? Seus princípios? 

Estamos abrindo mão de muita coisa como sociedade para dar lugar à EVOLUÇÃO citada pelo Pearl Jam e estamos nos contentando com muito pouco como disse Raul. Ainda dá tempo, nem todas as coisas estão perdidas. Podemos não salvar tudo, mas se pararmos agora, ainda teremos muito. Vamos desacelerar essa busca incansável pelo poder, pelo dinheiro e vamos sorris mais. Pensar mais na felicidades uns dos outros. Trocar. Se conectar com as pessoas para além de uma tela. Se solidarizar pelo drama daquele que não se conhece.

No caminho da evolução, nos ensinaram a construir um muro em volta dos nossos corações, a fim de nos proteger. Colocaram telas sobre nossos olhos para não vermos tão completamente. Taparam nossos ouvidos. Nos ensinaram que temos que correr contra o tempo. Nada disso nos protege e eu ainda ousaria afirmar: pode ser a causa de muita dor.

Repense seu modo de vida. Revise seus sonhos. Reveja seus planos. Inclua neles o futuro da terra, a preservação do verde, o respeito pelo outro, o amor ao que não se pode tocar. Não seja apenas um dígito na conta. Não se limite à um amontoado de objetos. Coloque o coração para fora. Sinta. Sinta a dor e a alegria que pode ser viver. Não se engane mais quando disserem que isso é evolução.

Projeto Borboleta


Há um ano atrás o Achei as Palavas estava nascendo como um blog. Primeiro estivemos apenas no Instagram e quando os caracteres limitados se tornaram um problema, viemos para esse canto da internet. O que eu acho que nunca dividi com vocês foi o motivo dele ter nascido. Então em comemoração ao primeiro ano de existência, vamos voltar ao princípio de tudo.

Uma das minhas paixões quando pré-adolescente era escrever poesia. Eu lia, escrevia e devorava poesia. Quando a adolescência chegou, eu migrei para os textões. Quando o filho, o casamento e as contas chegaram, eu parei com tudo. Não saia nem uma palavra. Nem um verso. Achei que a vida adulta era assim, sem poesia, sem cor, apenas a grande selva de pedra.

E eu vivi assim por muito tempo. Até que um dia eu senti saudades de quem eu era, do que eu costumava sentir, do que meus olhos costumavam enxergar. Então comecei, timidamente, esboçar umas linhas num papel. Trouxe um personagem a vida e uma pequena historieta. Logo em seguida ideias começaram a aparecer, eram tantas e tão grandes e o mundo começou a ficar vivo de novo.

Decidi que me abriria novamente para as palavras. E ajustaria meus olhos para o invisível do mundo. Assim foram criados os primeiros textos do Achei as Palavras. Assim coloquei em prática o projeto de escrever um livro. E o blog cresceu, ganhou seguidores, leitores fieis e até página no Facebook.

O que eu não sabia era o quanto tudo isso ia mexer comigo. Durante esse ano eu descobri que o rumo que eu havia tomado para a minha vida não estava bacana e que ele me levaria para lugares que eu não sei se gostaria de habitar. Mudei de faculdade, mudei de curso, mudei de rotina. Agarrei em mim tudo aquilo que havia desacreditado como sendo firula da adolescência e redescobri a minha essência.

Mas não pára aí não. Quando eu achei que tudo estava caminhando bem, a vida me deu uma rasteira. Eu perdi o chão. Perdi o caminho, perdi até a fé. Levei porrada mesmo. Fiquei desorientada por alguns dias, talvez semanas... Talvez ainda esteja. Mas, olhando hoje, descobri que o processo que começou a um ano atrás ainda não acabou. Eu me descobri lagarta a um ano e agora virei casulo.

Como é de se esperar, um casulo é frio, escuro e apavorante. E não há volta. Não posso parar tudo e voltar a ser apenas lagarta. Agora é necessário que eu enfrente meus medos e saia borboleta. Tudo será diferente. Não sei como será, mas sei que o que me torna forte para voar são as dificuldades de sair do casulo. Não posso ter ajuda, ninguém pode fazer por mim, apenas eu, no meu tempo, posso abrir essa casca criada em volta de mim.

Tudo isso não tem a ver apenas com o blog, mas com a minha vida. Quem me conhece ou me segue nas redes sociais sabe o quanto eu sou fisicamente diferente de quem eu fui. Quando lagarta, isso não me incomodava, me aceitei e me amei. Porém agora não me sinto olhando para mim no espelho. Preciso de mais e sei que posso me dar mais. Então decidi fazer uma intervenção médica e espero contar com o apoio de quem aparece por aqui.

O processo é longo e até doloroso, espero poder dividir com vocês. Enquanto isso pretendo desenvolver ainda mais textos aqui para o blog e entrar em alguns concursos do gênero. Também estou trabalhando no livro e estudando fotografia. Quero me sentir plena comigo mesma. Hoje ainda não me enxergo assim... mas falta pouco, porque a decisão de mudar eu já tomei.

Obrigada a você que tornou o AAP um lugar especial para nós. Obrigada a você que perdeu seu tempo para me deixar um recado, obrigada a você que mesmo a quilômetros de distancia envia suas energias positivas. Quem agradece é uma menina de 17 anos que mora no corpo de uma de 29, mas que aos poucos tem se mostrado para o mundo.

Como eu vejo

*imagem retirada da pesquisa do Google.

Hoje eu acordei e me dei conta de que não estava feliz. Que, apesar de ter caminhando muito, não havia chegado onde eu queria. Que o decorrer dos meus dias não eram felizes, ou belos, ou completos. Imediatamente percebi que vim iludindo a mim mesmo por muito tempo. Sempre havia uma desculpa para deixar para depois, um medo para mostrar que não era para mim, um conformismo de que não havia como. Deixei me levar por muitas circunstancias, algumas da vida, outras fabricadas por mim. O fato é que não consegui sorrir quando olhei minha cara no espelho do banheiro. Sabia que encontraria rugas indesejadas, cabelos brancos, uma história pesada demais para carregar nos ombros.

Vivi muitas histórias, de finais felizes, tristes, inesperados. Sofri por antecipação, por dor, por desespero. Quis que o tempo passasse logo e quis que ele se arrastasse. Achei que era dono do mundo e me percebi menino. Construí uma casca para me proteger e acabei me isolando. Deixei de fora quem me queria bem, tapei os ouvidos quando não quis mais ouvir as verdades que a vida tinha para me contar. Corri, desesperado corri de um lado para o outro sem saber o que fazer. Angustiado com o presente e duvidoso do futuro. Troquei as pernas e cai.

Cai num profundo breu, numa escuridão fria que habitava em mim. E não fui capaz de me libertar dela essa manhã. Peguei o celular e troquei algumas mensagens vazias, procurando uma vida que não era a minha. Um espaço no tempo em que me perdi de mim. Minha cabeça não pensava, agia no automático, na rotina, era capaz de estar morto e ainda sim conferir os gols da rodada do fim de semana. A vida jazia em mim, em seu lugar um silêncio robusto, desconsertante.

Comecei a olhar mais perto e a procurar minha alma, não achei. Os sentimentos de garoto, as lembranças de ouvir música no escuro,  a leveza do sexo com a namorada, os planos do futuro estavam lá, só infinitamente distantes. Pareciam ter sido vividos em outra vida, por outra pessoa, talvez até um eu de outro tempo. Um sem tanta bagagem, sem tanta frustração, alguém que sonhar não doía. Um eu num mundo mais simples, sem tantas regras, sem tantas cobranças.

Queria saber voltar a esse momento, retomar tudo o que se foi. Não possuo uma máquina do tempo, não sei encontrar o caminho de volta para os dias que perdi. Há apenas a possibilidade de seguir em frente. Quem sabe criar algo novo, diferente de tudo que já vivi e que estou vivendo. Uma nova roupagem de mim. Me reinventar. Traçar novos rumos, outros planos, voos mais altos. Ter novos dias, um novo eu.