Auto estima

Fênix

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Era o fim. Não havia nada que se pudesse fazer ou dizer, nada mais havia. Um ponto colocando final em tudo. Uma porta que se fechava com o vento ártico daquela manhã. O barulho estrondoso da madeira batendo no portal ecoando pela casa vazia. Não sentia dor, não sentia magoa, nem mesmo raiva, um corpo desabitado, a alma tão muda quanto seca. Sentiu a sua última estima molhar a boca, num gosto lancinante, não pode mais se esconder. Sua muralha de gelo derretia ao encontrar novamente o calor de seu corpo. Sentia a vida voltar. Ferida, rastejante, dilacerada, quente. Os olhos verdes aguentaram enquanto podiam, porém sentir, fora mais forte. E sentiu. Primeiro a dor, aguda, firme; por seguinte a tristeza, o pesar e a pena, sentiu essa de si mesma. Ajoelhou ao chão, desprovida de qualquer esperança. O tempo escureceu o dia e o sono veio. De olhos fechados sua consciência deu lugar às lembranças, não as que ela queria guardar e sim as que lhe fizeram feliz, o entusiasmo, o afeto, o carinho, sua ternura atenuou as têmporas e um ‘quase sorriso’ formou-se em seus lábios, poderia jurar ser amor. Até que a luz do luar invadiu as janelas e a despertou, com o carinho e a delicadeza de uma mãe. Já podia respirar sem dor. Começou então a juntar os pequenos cacos do vaso que havia quebrado, a por de volta na mesa o que havia arremessado, desvirou cadeiras e jogou uma boa parte de tudo fora. No espelho, procurava a si mesma, não sabia quem era e pela primeira vez isso não lhe assustava.

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