Dias Melhores

A minha, a sua

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Algumas dores não vão embora. Por mais que os sonhos de renovem, por mais que a vida siga, por mais que tenhamos aprendido a lição, algumas dores nunca vão embora. Não sei se há um lugar sombrio para elas no coração ou se simplesmente uma parte nossa apodrece e morre no momento do corte, mas o fato é que elas permanecem. Não todo dia, nem mesmo todo mês. Você vai vivendo, acreditando que passou, toma um café, viaja, encontra um amigo, até que um dia, um filme, uma série, um sonho, escondido na letra da canção está a sua dor. De cara lavada te olhando nos olhos, você descobre que aquele soco de outrora permanece na boca do estômago. E dói tudo outra vez. A gente até quer chorar, se descabelar, fazer cena. Quem iria entender? Cresça menina. A vida é assim mesmo. É? Não tenho tanta certeza. Tenho mesmo é a impressão de que todos sentem e todos calam. Ninguém assume que a porra da dor não passa nem por um decreto, nem o tempo, nem qualquer mandinga faz a coisa toda sumir de dentro de nós. Algumas dores ficam, se camuflam no dia a dia e passam despercebidas a maior parte do tempo, mas estão lá. Aparecem no perfume, na cor do céu, no banco vazio, na vida que já não existe, nas perguntas, tantas perguntas, que ficaram sem resposta, sem lógica, questões que não fazem a menor diferença agora. Apenas estão lá, naquela história mal contada, no capítulo que parece não ter fim, em mim. E a gente chora quando ninguém está olhando, na tentativa de um dia, não chorar mais.

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